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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Um leitor quer saber se pode ser sufi


Oi, D...! Salam alaikum

Ao invés de perguntar se um não muçulmano seria aceito no Sufismo, é melhor perguntar: o que é um muçulmano? A palavra muçulmano significa alguém que se submete a Deus, e Islã significa submissão a Deus.

O que o Alcorão diz?

“Dizei: ‘Cremos em Allah e no que nos foi revelado, no que foi revelado a Abraão, Ismael, Isaac, Jacó e às tribos, no que Moisés, Jesus e os profetas receberam do seu Senhor. Não fazemos distinção entre nenhum deles e nos submetemos a Ele’.” (Sagrado Alcorão, 2:136)

“Os crentes, os judeus, os cristãos, os sabeus, quem creem em Allah e no último Dia e realizam boas obras, esses têm recompensa junto ao seu Senhor. Não devem temer e não ficarão tristes.” (Alcorão Sagrado, 2:62)

Na verdade só existiu uma religião desde o princípio dos tempos. A verdadeira religião é a ciência de como as coisas são, quais são as leis do universo e como podemos encaixarmos dentro dessas realidades para viver bem e felizmente nesta vida e cumprir com o propósito de nossa estadia aqui na Terra. Como nas leis da física, não há duas formas, as coisas funcionam de uma forma só, a gravidade puxa para baixo sempre e não existem dois jogos de leis termodinâmicas. Deus revelou esse sistema de coisas aos seus profetas, milhares deles, e eles transmitiram a mensagem para o povo.

As diferenças entre uma religião e outra não é a mensagem essencial ou os fatos, tudo isso é igual, as diferenças são os detalhes projetados para torná-la mais fácil de seguir pelas pessoas do momento e, uma grande quantidade de acréscimos culturais, maus entendidos, distorções e más traduções. Se você ler os evangelhos de Cristo, só suas palavras, encontrará o método sufi por um sufi perfeito (até árabe falou e chamava a Deus de Allah).

Os rituais e formalidades de uma dada religião não fazem o crente (judeu, cristão ou muçulmano). E sim o que crê e como atua faz o crente. Além da religião formal sempre existiu um ramo esotérico (interno) de ensinamentos e práticas direcionadas às pessoas que procuram a verdadeira religião. Existe, também, apenas um ensinamento dessa índole. Teve diferentes nomes e terminologias em diferentes períodos – para os judeus foi a Cabala, para os primeiros seguidores de Jesus foi o Gnosticismo e agora o Sufismo é a forma mais atualizada, sendo o ramo místico do Islã, a última religião formal revelada por Deus.

Segundo a definição exata de Islã e muçulmano, você pode ser mais muçulmano agora mesmo do que milhões de pessoas que se dizem assim. Entender o que é submeter-se a Deus não é tão simples. Realmente submeter-se a Deus não é um assunto fácil. É disso do que o Sufismo trata.

De forma prática, explico-lhe como somos em nossa tariqa (senda ou escola). No passado quase todos os que ingressaram na senda do Sufismo eram muçulmanos da mesma forma que todos os cabalistas eram judeus (incluindo Jesus) e os gnósticos eram cristãos. Hoje em dia encontramos pessoas procurando a Verdade e ao saber algo do Sufismo são atraídos por ele sem saber nada do Islã.

“Não cabe coação na religião. A direção correta se distingue claramente do desvio...” (Alcorão Sagrado, 2:256) O Sufismo é um caminho e ensinamento interno. Como resultado de práticas exteriores como uma forma de meditação (dhikr), o sufi começa a receber guia interna por meio do coração e pode, por sua própria vontade, decidir praticar formas da religião.

Ao ingressar na Tariqa Qadiri-Rifai Ansariyya, fazer “bayat”, e iniciação, a pessoa tem que expressar sua crença em Allah (Deus) e aceitar ao Profeta Muhammad como seu profeta, bem como a todos os outros profetas (Jesus, Moisés, etc.) e aceitar os sheiks (mestres) de nossa tariqa como seus mestres.

Ser sufi, assim como muçulmano, é um assunto pessoal e particular. Você não tem que proclamar para todo mundo suas crenças – um verdadeiro muçulmano e sufi não parece diferente do que qualquer outra pessoa. Ser sufi é estabelecer uma relação pessoal com Deus e assim, com a ajuda do sheik, chegar a conhecer a realidade Dele.

Estou sempre à sua disposição.

Salam,

Sheik Mohammad Abdullah

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Resposta do Sheik a um estudante que perguntava sobre a iniciação sufi (bayat)


Salam alaikum J… –

O bayat (cerimônia de iniciação) é, na verdade, só uma formalidade. A conexão entre o mestre e o estudante é criada por eles mesmos. Se o mestre ou o/a estudante esquece um ao outro, ou se não sentem a conexão, o amor, o bayat não significa nada. Por outro lado pode existir uma sensação de conexão, quer seja amor, inclusive sem o bayat, e é real.

Na verdade, muitos dos meus “estudantes”, pessoas que leem os meus textos e fazem perguntas, “pertencem” a outras tariqas.

Lembre-se da diferença entre a religião formal e o Sufismo – a religião formal consiste em regras e rituais, hábitos que as pessoas praticam sem pensar muito, enquanto que no Sufismo, assim como nas sendas iguais [a ele] do passado, as sendas são (ou devem ser) para pessoas que querem uma experiência pessoal com Deus, um caminho “feito à medida”. Infelizmente, hoje em dia, vemos que muitas tariqas já são mais ou menos como as religiões formais, aparências e hábitos.

O amor é uma frequência divina, é a frequência que cria uma conexão entre uma pessoa e Deus, assim como entre duas pessoas. O que chamamos rabita, que traduzimos como conexão, é na verdade a sintonização com a frequência divina de amor dirigida à uma pessoa específica ou mesmo a Allah.

O sheik, mestre, sente amor por seus estudantes. Bem, por todo mundo, mas quando o estudante retorna o amor, isso produz um laço, o estudante entra no campo energético do mestre e isso torna o caminho do estudante mais suave e fluido.

Então, o caminho sufi consiste em rabita – amor, sintonização com a frequência divina; trabalho – uma meditação de dhikr diária, mais outras práticas; e uma batalha constante contra o nafs/ego.

O verdadeiro Sufismo é interno. É uma senda difícil porque tratamos de não nos apegarmos a imagens ou aparências externas. As pessoas têm suas imagens religiosas (ou assim crê) porque é mais fácil fazer culto a tais coisas do que a algo que não possamos ver. Mas essas coisas são materiais e o adorar ou concentrar-se em coisas materiais causa uma rigidez tanto física quanto espiritual na pessoa que a torna “impenetrável” energeticamente, o que quer dizer, que põe uma barreira entre ele ou ela e a frequência divina.

Tudo é energia. A solidez do mundo e de nós mesmos é uma ilusão, mas a mente pode densificar tudo fazendo separações onde na realidade não existem; todos nós estamos unidos, conectados, mas para experimentar isso a pessoa tem que trabalhar.

Não se preocupe, existe uma conexão, estou com você. Se você quiser fazer o bayat comigo, não tem problema, mas lembre-se que é só uma formalidade. O verdadeiro bayat é interior. Só por expressar o desejo de continuar comigo é suficiente. Se você também quer uma designação de dhikr, avise-me.

Salam e wadud,

Sheij Mohammad Abdullah

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