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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Viver pela espada, morrer pela espada


Por mestre Mohammad Abdullah Ansari

“Viver pela espada, morrer pela espada”, é um refrão comum, e tanto é verdade que vemos seu cumprimento realizado dia após dia no mundo. A violência traz mais violência, ninguém pode negar isso. Mesmo que, certamente, ninguém que leia isto “viva pela espada”, há outra forma de violência que afeta a todos e com resultados igualmente nocivos. Falo dos pensamentos negativos. A raiva, o ódio, a cobiça, a inveja, o rancor, o medo, a arrogância e muito mais danificam o corpo físico, o corpo energético e atrai mais do mesmo – isso é importante, esses pensamentos se manifestam em acontecimentos físicos que nos atacam externamente.

Com relação a nossa viagem espiritual, tirar, eliminar os pensamentos, é absolutamente necessário para abrir a porta tanto para a visão da Realidade como da guia Divina. Você nunca deve pensar que um pensamento é menos substancial que qualquer objeto material no mundo, tudo o que existe foi uma vez um pensamento. Cada vez que aparecem no cérebro nossos pensamentos tomam cada vez mais forma, mais realidade.

Um guerreiro tem que estar alerta em cada momento, consciente de tudo o que está acontecendo ao seu redor, sempre pronto para se defender. Um guerreiro espiritual também tem que estar alerta e consciente, mas daquilo que está acontecendo no seu cérebro e no seu corpo – observando o que está acontecendo no cérebro e as emoções que está manifestando no corpo.

É importante ter em mente que não somos o corpo, não somos o cérebro, não somos as emoções. Disse inúmeras vezes que temos que nos separar do corpo, do cérebro, e das emoções. Como fazer isso? Sei que é difícil entender e ainda mais conseguir, mas é indispensável se você quiser avançar e se libertar do sofrimento da “samsara”, o mundo telenovelesco de emoções de altos e baixos e entrar no rio de “barakas”, bênçãos divinas. O método é prestar atenção e observar. Observar os pensamentos, observar as emoções. Com isso pouco a pouco crescerá uma distância entre você, o observador, e o observado. Quem está observando? Quem você é realmente? Quanto mais você se esforçar em observar a “você mesmo”, ao seu ego, a seus pensamentos, aos seus desejos, etc., mais forte será a conexão e a consciência do seu ser real, de quem você realmente é.

O guerreiro busca informação sobre o seu inimigo, conhece o jeito dele, como ele funciona [age], investiga para saber que armas ele possui e quais são os planos dele. Se não conhecer o inimigo estará exposto a ataques e derrotas. Assim também acontece conosco, nosso inimigo somos nós mesmos, tudo o que é negativo dentro de nós – pensamentos e emoções negativas, bem como inclinações inculcadas desde o passado (ancestrais [DNA] ou karma de vidas passadas) e as influências exteriores da cultura, da sociedade, da família, de acontecimentos de nossas vidas e mais.

“Conheça-te a ti mesmo e conhecerás a Deus”. Isso não significa que você seja Deus, mas que ao conhecer as realidades sobre você mesmo e trabalhar para eliminar o ego e toda a negatividade que ele incita, abrirá o canal do conhecimento e da conexão com a Energia Divina, o próprio Deus.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O coração do homem é um instrumento musical


Por Mestre Mohammad Abdullah

O coração do homem é um instrumento musical, contém uma música grandiosa. Adormecida, mas está ali esperando o momento apropriado para ser interpretada, expressada, cantada, dançada. E é através do amor que o momento chega.” 
Yalaluddin Rumi (1207-1273)

Quando dizemos “coração” nos referimos a um aspecto ou parte da alma, o ser real mais profundo do ser humano. O coração é a conexão com o Divino. É através do coração que Deus nos guia. O coração é também o mais distante do ser humano, “esperando o momento apropriado para ser interpretado...”, o coração real está oculto pelo ego, a imagem de ser, nossas ideias de quem somos, ideias equivocadas. Nós pessoas na busca de Deus, ou melhor, da conexão com Deus, estamos continuamente lutando contra o ego, o egoísmo e os impulsos negativos, mas também há práticas que realizamos para fazer que essa conexão também funcione para queimar o ego e a negatividade.
                                                                                            
Yalaluddin Rumi fala do amor. O que é o amor? Não são as emoções sentimentais que comumente são confundidas com o amor e não são os impulsos hormonais que conduzem a grandes problemas na sociedade humana. O amor é uma frequência divina através da qual Deus nos guia. O amor é a ausência do egoísmo – mais ego, menos amor; menos ego, mais amor, mais conexão com a frequência divina e o amor de Deus.

Tudo é energia. Aqui no mundo material, o que parece sólido na verdade não é, é energia em sua forma mais densa que parece sólido por nossos sentidos físicos, todavia tudo está composto de vibrações em movimentos contínuos. Devido a muitos fatores internos e externos, do presente e do passado, as vibrações no ser humano estão desequilibradas, o corpo é um emaranhado de vibrações, um caos de energia. Mas o corpo também é um condutor de energia, o que pode ser bom ou mau, dependendo das influências vibratórias externas com que nos conectamos (que permitimos nos influenciar).

As práticas que os buscadores da verdade usam desde os princípios dos tempos sempre foram de natureza vibratória – a palavra em formas de dhikr (nomes de Deus, mantra), o canto, bem como a música sagrada. A música e a voz muitas vezes em conjunto com o movimento físico, a dança sagrada, o yoga e outras formas de “exercício” físico se encontram em todas as partes do mundo. A música do coração e o movimento consciente trabalham para equilibrar as forças, as energias, dentro do corpo, assim como sintonizá-las com frequências positivas externas. Como um corpo são [saudável] combate a enfermidade quando as energias internas estão equilibradas, o corpo energético rejeita influências negativas e luta naturalmente contra o ego tornando nosso trabalho espiritual mais fácil.

O coração espiritual a que os místicos se referem não é simbólico, é uma realidade tangível, e, tampouco é totalmente distinto do coração físico. O coração físico reflete, de algumas formas, a condição espiritual do coração espiritual, ou seja, refletem-se mutuamente.

É óbvio que o corpo é afetado por sons (vibrações). Com a música o corpo se move, certos sons nos irritam e outros nos tranquilizam. O corpo físico e o corpo energético também se refletem mutualmente, dessa forma a música, a voz e o movimento físico corretamente praticado nos beneficiam tanto física como espiritualmente.

O coração é um instrumento musical, seu ritmo reflete nosso estado espiritual, é um instrumento do amor. Cuidar de sua saúde é um trabalho espiritual, um passo à conexão com Deus.

Expectativas, decepções e aceitação

Caderno de trabalho sufi Por Mestre Mohammad Abdullah Ansari Tudo o que vemos, isto é, este mundo material e as coisas que lhe s...